APOIO ÀS MULHERES
Protestos contra violência de gênero marcam o 8 de março no Brasil
Manifestações ocorreram em diversas capitais e denunciaram feminicídios e outras formas de violência contra mulheres
09/03/2026
07:45
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Mulheres participam de ato do Dia Internacional da Mulher em Brasília, durante mobilização nacional por direitos e contra a violência de gênero. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Mulheres de diferentes regiões do Brasil ocuparam ruas e avenidas neste domingo, 8 de março, em manifestações pelo Dia Internacional da Mulher. Os atos reuniram participantes em várias capitais e tiveram como foco principal o combate à violência de gênero e a defesa de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
No Rio de Janeiro, manifestantes caminharam pela Avenida Atlântica, em Copacabana. Já em São Paulo, a mobilização aconteceu na Avenida Paulista, tradicional ponto de encontros e protestos na capital paulista. Em Brasília, participantes se reuniram em um ato que seguiu da Funarte até o Palácio do Buriti.
Em Belo Horizonte, uma intervenção simbólica chamou a atenção de quem passou pela Praça da Liberdade. Cento e sessenta cruzes foram instaladas no local para representar mulheres vítimas de feminicídio em Minas Gerais nos anos de 2025 e 2026. A ação buscou lembrar histórias interrompidas pela violência e reforçar a necessidade de medidas de proteção.
O coletivo Casa das Marias, responsável pela instalação, destacou que cada cruz simboliza uma vida perdida e uma família marcada pela violência. Para o grupo, o 8 de março também deve ser um momento de denúncia e mobilização diante da continuidade dos crimes contra mulheres.
Ainda na capital mineira, uma marcha percorreu o centro da cidade com cartazes e palavras de ordem. Entre as mensagens levadas pelas participantes estava o protesto contra uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que havia absolvido um homem acusado de violentar uma menina de 12 anos, sob o argumento de que os dois mantinham um relacionamento. Após forte repercussão pública, a decisão foi posteriormente revista.
Em Porto Alegre, uma performance artística integrou o ato. Integrantes de um grupo teatral desfilaram carregando sapatos femininos manchados com um líquido vermelho que simbolizava sangue. Durante a caminhada, os nomes de vítimas de feminicídio no estado foram pronunciados em homenagem às mulheres assassinadas.
Na capital baiana, Salvador, o protesto foi organizado com o lema Mulheres vivas, em luta e sem medo. As participantes se concentraram no Morro do Cristo e seguiram até o Farol da Barra, levando cartazes e entoando palavras de ordem relacionadas à igualdade de gênero, ao combate ao feminicídio e à defesa de direitos sociais.
Em Belém, centenas de mulheres participaram de um ato no centro da cidade. A mobilização reuniu integrantes de coletivos feministas e outras organizações que defendem políticas públicas de proteção e igualdade.
Segundo lideranças dos movimentos, o Dia Internacional da Mulher é tradicionalmente marcado por mobilizações que buscam chamar a atenção da sociedade para a desigualdade de gênero e para a violência enfrentada por mulheres em diferentes contextos.
Para representantes de organizações feministas, as manifestações também servem como espaço de debate e de cobrança por ações efetivas do poder público no enfrentamento ao feminicídio e a outras formas de violência. O objetivo, segundo as participantes, é garantir mais segurança, respeito e igualdade para todas as mulheres.
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