Campo Grande (MS), Sexta-feira, 03 de Julho de 2026

SOLIDARIEDADE

Moradora de Ribas do Rio Pardo doa medula óssea após anos cadastrada no Redome

Cadastro feito na adolescência possibilitou compatibilidade com paciente e resultou em transplante realizado em 2025

09/03/2026

07:00

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Moradora de Ribas do Rio Pardo realiza doação de medula óssea após anos cadastrada no Redome.

Um gesto iniciado ainda na adolescência se transformou, anos depois, na chance de salvar uma vida. Aos 31 anos, Renata Rodrigues, moradora de Ribas do Rio Pardo, foi chamada para doar medula óssea após ser identificada como compatível com um paciente brasileiro.

A convocação foi feita pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). O transplante foi realizado em 28 de outubro de 2025. O cadastro da doadora havia sido feito aos 18 anos, durante uma campanha de doação promovida no município.

Na época, Renata participava de ações de doação de sangue organizadas pelo Rotary International e, assim que atingiu o peso mínimo exigido, passou a doar regularmente.

Ela recorda que fez a primeira doação de sangue aos 17 anos. Pouco tempo depois, decidiu também se cadastrar como doadora de medula óssea, mesmo sem imaginar que um dia poderia ser chamada.

Segundo Renata, na época ela chegou a perguntar se o procedimento era doloroso. Foi informada de que naquele momento seria feito apenas o cadastro e que as chances de compatibilidade são raras. Mesmo assim, autorizou a inclusão de seus dados no sistema e seguiu a rotina normalmente, mantendo telefone e endereço atualizados.

O contato inesperado

Anos depois, recebeu uma mensagem informando que poderia haver compatibilidade com um paciente e que seria necessário realizar exames em Campo Grande para confirmação.

Após a coleta de sangue, foi orientada de que o resultado final poderia levar até 180 dias. Quase no fim do prazo, cerca de 175 dias depois, veio a confirmação da compatibilidade. Questionada se desejava seguir com a doação, Renata não hesitou.

Na época, ela era mãe de Liz, de 7 anos, e de Leonardo, que tinha apenas 1 ano e 7 meses. Mesmo assim, decidiu seguir com o processo, embora precisasse reorganizar a rotina familiar para permanecer alguns dias fora de casa.

Como ocorre a doação

Renata foi encaminhada para São Paulo, onde passou por exames complementares e recebeu orientações médicas. Existem duas formas de doação de medula óssea: por punção na região da bacia ou por aférese, método indicado no caso dela.

Na coleta por aférese, o doador utiliza medicação por alguns dias para aumentar a quantidade de células-tronco no sangue. Em seguida, o sangue é coletado por um equipamento que separa as células necessárias e devolve o restante ao organismo.

Todo o procedimento é realizado em centro especializado e custeado pelo Redome em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde do Brasil. A doação durou cerca de seis horas.

Durante todo o processo, Renata afirma que recebeu explicações detalhadas da equipe médica e se sentiu segura para realizar o procedimento.

Distância da família

Ao todo, ela permaneceu nove dias em São Paulo. O período longe dos filhos foi apontado como o momento mais difícil de toda a experiência.

Segundo ela, o apego com as crianças era grande, principalmente com o filho mais novo. Mesmo assim, tinha consciência de que se tratava de uma causa importante.

Havia ainda a possibilidade de ser necessário realizar uma segunda coleta caso a quantidade de células não fosse suficiente. Quando recebeu a confirmação de que o material coletado havia atendido à necessidade do transplante, a emoção tomou conta.

Anonimato e esperança

Por questões de segurança e ética médica, o doador não recebe informações detalhadas sobre o receptor. Renata sabe apenas que o paciente que recebeu a medula é brasileiro.

Mesmo sem conhecer a pessoa, ela afirma que pensa com frequência em quem estava do outro lado esperando pela doação e deseja que o transplante represente um novo começo.

Ao final do processo, recebeu uma camiseta simbólica que identifica os doadores de medula óssea.

Incentivo à doação

De volta à rotina em uma loja de roupas infantis em Ribas do Rio Pardo, Renata decidiu compartilhar a própria história para incentivar outras pessoas a se tornarem doadoras.

Ela reforça a importância de doar sangue e de realizar o cadastro no Redome, destacando que esse gesto pode transformar completamente a vida de alguém que aguarda por um transplante.

Como se tornar doador

A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue, e o transplante é indicado para pacientes com doenças que afetam esse sistema.

Para se cadastrar como doador voluntário é necessário ter entre 18 e 35 anos e 9 meses, não possuir doenças infecciosas ou incapacitantes e não apresentar doenças neoplásicas, hematológicas ou do sistema imunológico.

Em Mato Grosso do Sul, o cadastro pode ser feito nas unidades da rede Hemosul, localizadas em Campo Grande e em outras cidades do interior.

Segundo a chefe do setor de captação do Hemosul, Lucéia Fernandes, dados do Redome apontam que, apenas em 2024, sete moradores de Mato Grosso do Sul realizaram efetivamente a doação de medula óssea.

Ela destaca ainda que, ao longo dos anos, mais de 100 doadores do Estado já foram compatíveis com pacientes no Brasil e no exterior. Atualmente, Mato Grosso do Sul soma 197.502 cadastros de doadores voluntários registrados entre 2001 e 2025.


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