DEBATE NA CÂMARA
Vereadores divergem sobre capacidade de Campo Grande receber evento internacional da ONU
Conferência que reúne representantes de mais de 130 países deve movimentar rede hoteleira, mobilidade e serviços na Capital
06/03/2026
07:00
REDAÇÃO
Vereadores da Câmara de Campo Grande divergem sobre estrutura da Capital para receber a COP15, conferência internacional da ONU prevista para março. @Divulgação
A realização da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens, a COP15, em Campo Grande, tem dividido opiniões entre vereadores da Câmara Municipal. O evento internacional da Organização das Nações Unidas já conta com mais de 3,3 mil inscritos e deve colocar à prova a infraestrutura da Capital, especialmente nos setores de hotelaria, mobilidade urbana e alimentação.
Pesquisadores, ambientalistas, empresários e representantes de cerca de 130 países são esperados para a conferência, marcada para ocorrer entre os dias 23 e 29 de março, no Bosque Expo, localizado na região norte da cidade.
Parte dos parlamentares defende que Campo Grande tem condições de sediar um evento de grande porte, citando experiências anteriores com encontros e competições nacionais e internacionais. Outros, porém, apontam problemas estruturais da cidade que poderiam prejudicar a recepção dos visitantes.
O vereador Carlão afirmou que a Capital possui estrutura suficiente, mas reconheceu a necessidade de melhorias pontuais na infraestrutura urbana.
“Campo Grande tem grandes hotéis, tem auditórios com condições de fazer. Aqui é um ponto estratégico e é uma cidade acolhedora. A mobilidade é boa. Tem pontos turísticos e só tem que arrumar os buracos”, comentou.
Já o vereador Maicon Nogueira destacou o potencial da cidade para sediar grandes eventos, mas alertou para a necessidade de investimentos em serviços básicos para evitar problemas durante a realização da conferência.
“Temos muito potencial de receber grandes eventos porque estamos numa localização estratégica do país e temos muito potencial de crescimento, sobretudo por conta da Rota Bioceânica, mas reforço que a Prefeitura precisa oferecer serviços básicos ou vamos passar vergonha”, afirmou.
A prefeita Adriane Lopes declarou que Campo Grande está preparada para receber o encontro internacional e destacou a oportunidade de mostrar a cidade ao mundo.
“Estamos preparados para acolher bem os participantes e mostrar ao mundo o potencial da nossa Capital”, afirmou.
Entre os vereadores que defendem a realização do evento, Landmark ressaltou a importância da visibilidade internacional para as questões ambientais do Estado, especialmente relacionadas ao Pantanal.
“É muito importante Campo Grande fazer a recepção desse evento. Com o nosso Pantanal, vai dar visibilidade a todas as questões ambientais que acontecem no Mato Grosso do Sul. A cidade tem estrutura para receber, mas tem que ir colocando umas plaquinhas nos buracos”, disse.
O líder da prefeita na Câmara, vereador Beto Avelar, também citou eventos de grande porte já realizados na cidade como exemplo da capacidade local.
Segundo ele, Campo Grande já sediou grandes eventos como a Expogrande, etapas da Stock Car, da Fórmula Truck e o Mundial de Motocross nas Moreninhas, que reuniram grande público e exigiram estrutura de hospedagem, logística e serviços.
O vereador Jean Ferreira avaliou que a cidade tem potencial para sediar debates sobre o bioma, mas apontou falhas na organização por parte do poder público. Ele também destacou a expectativa pela presença de autoridades nacionais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Entre as críticas mais duras, o vereador Rafael Tavares afirmou que o país ainda enfrenta problemas básicos e que eventos desse tipo não deveriam ser prioridade.
“Metade do Brasil não tem saneamento básico, não deveríamos estar nem discutindo e muito menos sediando eventos políticos sobre clima”, declarou.
Já o vereador Ronilço Guerreiro destacou o crescimento da rede hoteleira e a presença de atrativos turísticos e científicos na Capital, como o Bioparque Pantanal, que pode ser um dos pontos de interesse para os visitantes.
Por outro lado, o vereador Flávio Cabo Almi criticou as condições atuais da cidade e afirmou que Campo Grande não teria estrutura adequada para receber um evento internacional desse porte.
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