SAÚDE APÓS OS 40
Exames “normais”, mas sintomas persistem? Especialista alerta para sinais ignorados pelo corpo
Cansaço, irritabilidade e queda de libido podem estar ligados a desequilíbrios hormonais e nutricionais
27/02/2026
07:45
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Especialista alerta que sintomas persistentes após os 40 anos merecem investigação individualizada. @REPRODUÇÃO
Cansaço constante, irritabilidade, dificuldade de concentração, ganho de peso e queda de libido estão entre os sintomas cada vez mais relatados por homens e mulheres a partir dos 40 anos — inclusive por aqueles que já passaram por consultas médicas e realizaram exames laboratoriais.
O problema, segundo especialistas, é que muitas vezes os resultados aparecem dentro do valor de referência, enquanto a sensação de esgotamento físico e mental permanece. A produtividade diminui, o sono piora e a disposição já não é a mesma.
De acordo com o nutrólogo especialista em Equilíbrio Hormonal e Longevidade, Dr. Marcelo Silva, essa é uma das principais queixas no consultório.
“Muitos pacientes chegam dizendo: ‘Doutor, meus exames estão normais, mas eu não estou bem’. E, muitas vezes, o que está sendo analisado é apenas um número, sem considerar o contexto clínico e os sintomas do paciente”, explica.
Sinais que não devem ser ignorados
Para o médico, normalizar sintomas persistentes pode ser um erro.
“Ninguém morre do nada, ninguém tem um mal súbito do nada. O corpo dá sinais antes. Muitas vezes, o paciente sente que algo não está bem, procura atendimento, faz exames e escuta que está tudo normal. Mas ele continua sintomático. Isso precisa ser investigado”, alerta.
Segundo ele, parte desses quadros pode estar relacionada a deficiências hormonais e nutricionais que passam despercebidas em análises convencionais.
“O motivo da pessoa estar assim é, muitas vezes, deficiência de estradiol, testosterona, além de alterações em vitamina B12 e vitamina D. Esses fatores impactam energia, humor, massa muscular, foco e libido”, afirma.
Valor de referência não é sinônimo de ideal
Os valores laboratoriais são baseados em médias populacionais, o que não necessariamente representa o nível ideal para desempenho físico, clareza mental e saúde metabólica individual.
“Estar dentro da faixa de referência não quer dizer que aquele seja o valor ideal para aquela pessoa. Precisamos avaliar função, não apenas números”, pontua.
Estudos científicos indexados na PubMed reforçam que biomarcadores devem ser interpretados considerando histórico clínico, estilo de vida e sintomas persistentes.
Alimentação e inflamação
Outro ponto destacado pelo especialista é o impacto da alimentação moderna no equilíbrio hormonal e metabólico.
“O excesso de alimentos processados e industrializados pode prejudicar a microbiota intestinal. Isso interfere na absorção de nutrientes, favorece inflamação e pode afetar até a regulação hormonal”, explica.
De acordo com ele, ajustes na alimentação, redução de ultraprocessados, melhora do sono, prática de atividade física e avaliação individualizada dos marcadores metabólicos são pilares importantes para recuperar vitalidade.
Envelhecer não é viver cansado
Após os 40 anos, é comum ocorrer redução gradual de hormônios como testosterona e estradiol. No entanto, isso não significa que sintomas como fadiga, desânimo e perda de desempenho devam ser considerados normais.
“Não tratamos exames isolados. Tratamos pessoas. Saúde é equilíbrio funcional. Quando o corpo dá sinais, ele precisa ser ouvido”, conclui Dr. Marcelo Silva.
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