SAÚDE PÚBLICA
Ministério da Saúde decide não incorporar vacina contra herpes-zóster ao SUS
Imunizante foi considerado caro diante do impacto da doença e do custo para o sistema público
14/01/2026
07:45
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Vacina contra herpes-zóster utilizada na prevenção da doença em clínicas e serviços privados @Paulo Pinto Agência Brasil
O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para a prevenção do herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão consta em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) e tem como base a avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
De acordo com relatório da Conitec, disponível para consulta pública, o imunizante foi considerado de alto custo em relação ao impacto que poderia gerar no enfrentamento da doença dentro do sistema público. A vacina recombinante adjuvada é indicada para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos.
O documento reconhece a importância da vacina na prevenção do herpes-zóster, mas ressalta a necessidade de negociações adicionais quanto ao preço. Segundo o relatório, o objetivo seria alcançar um valor com impacto orçamentário sustentável para o SUS, o que não foi possível nas condições analisadas.
A Conitec também apresentou uma estimativa de custos para a adoção do imunizante. De acordo com os cálculos, a vacinação de 1,5 milhão de pessoas por ano teria custo aproximado de R$ 1,2 bilhão anuais. No quinto ano, a imunização dos cerca de 471 mil pacientes restantes custaria R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total chegaria a R$ 5,2 bilhões, o que levou a comissão a considerar a vacina não custoefetiva.
A portaria publicada pelo Ministério da Saúde prevê que a matéria poderá ser submetida a uma nova avaliação pela Conitec caso sejam apresentados fatos novos que possam alterar o resultado da análise realizada.
O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, especialmente em pessoas idosas ou com imunidade baixa. Os primeiros sintomas incluem queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço, seguidos pelo surgimento de manchas vermelhas e bolhas cheias de líquido, geralmente em apenas um lado do corpo.
Segundo a Conitec, apesar de a doença geralmente evoluir para cura espontânea, há risco de complicações graves, como problemas na pele, no sistema nervoso, nos olhos e nos ouvidos, especialmente em pessoas mais vulneráveis.
Nos casos leves, o SUS oferece tratamento sintomático para alívio da dor, febre e coceira, além de orientações de higiene e cuidados com a pele. Em situações de maior risco, como em idosos, imunocomprometidos ou casos graves, é indicado o uso do antiviral aciclovir.
Dados dos Sistemas de Informações Ambulatoriais e Hospitalares do SUS apontam que, entre 2008 e 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações por herpes-zóster no Brasil. Já o Sistema de Informações sobre Mortalidade registrou, entre 2007 e 2023, 1.567 mortes pela doença, o que corresponde a uma taxa de 0,05 óbitos por 100 mil habitantes. Do total de óbitos, 90% ocorreram em pessoas com 50 anos ou mais, sendo 53,4% em idosos com mais de 80 anos.
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