Campo Grande (MS), Domingo, 29 de Março de 2026

França estuda proibir implantes nos seios após descoberta de novo tipo de câncer

18/03/2015

10:01

CMS

Pesquisa revelou que pr�teses mam�rias podem causar tipo raro de tumor no sistema linf�tico; risco desse linfoma em mulheres com implantes � 200 vezes maior.

Governo franc�s estuda proibir pr�teses mam�rias ap�s instituto relacion�-las a tumor no sistema
 linf�tico (Foto: Thinkstock/BBC)

Um estudo realizado pelo Instituto do C�ncer da Fran�a, divulgado nesta ter�a-feira (17/3), revela que implantes nos seios podem causar um tipo raro de tumor no sistema linf�tico.

Em raz�o das conclus�es dos especialistas, o governo franc�s estuda atualmente a proibi��o de pr�teses mam�rias no pa�s.

Os pesquisadores do Instituto Nacional do C�ncer (INC) da Fran�a revelaram a exist�ncia de uma nova doen�a, o "linfoma anapl�sico de grandes c�lulas associado a um implante mam�rio (LAGC-AIM)" e prop�e que esse tipo de c�ncer seja inclu�do na classifica��o de doen�as da Organiza��o Mundial da Sa�de (OMS).

"Existe uma rela��o claramente estabelecida entre o surgimento dessa doen�a e o uso de um implante mam�rio", diz o relat�rio do instituto franc�s. "Esse tipo de c�ncer n�o foi diagnosticado em nenhuma mulher sem pr�teses nos seios."

Os oncologistas franceses estimam que o risco desse linfoma nas mulheres com implantes mam�rios � 200 vezes maior do que na popula��o feminina em geral.

Eles ressaltam, no entanto, que a frequ�ncia dessa complica��o m�dica � muito baixa. Desde 2011, apenas 18 mulheres desenvolveram esse tipo de c�ncer na Fran�a (uma delas j� morreu), segundo o INC.

Vigil�ncia

O estudo foi realizado a pedido das autoridades francesas da �rea de sa�de ap�s o r�pido aumento de casos desse tipo de c�ncer em um per�odo relativamente curto.

Apesar do n�mero de pessoas afetadas ainda ser bem limitado, o que preocupa as autoridades � a velocidade da progress�o: o total de novos casos passou de dois em 2012 para 11 no ano passado.

A ministra da Sa�de, Marisol Touraine, declarou nesta ter�a-feira que as mulheres com implantes nos seios "n�o precisam retir�-los" e nem devem ficar "excessivamente preocupadas".

"Nossa vigil�ncia � total", disse a ministra, acrescentando que nenhuma marca de pr�tese mam�ria est� sendo visada especificamente em rela��o � descoberta desse novo tumor.

Touraine tamb�m afirmou que as informa��es �s mulheres que desejam colocar implantes nos seios ser� refor�ada.

Alerta obrigat�rio

A Ag�ncia Nacional de Seguran�a do Medicamento (ANSM) da Fran�a j� anunciou que as mulheres que desejam colocar pr�teses nos seios dever�o ser "obrigatoriamente alertadas sobre esse novo risco, apesar de ele ser baixo", afirmou, em entrevista ao jornal Le Parisien, Fran�ois H�bert, diretor-geral adjunto da ag�ncia.

Segundo ele, documentos informativos e alertas sobre a quest�o j� foram enviados aos m�dicos do pa�s. "Se for necess�rio proibir os implantes, n�s o faremos", disse o diretor da ANSM.

A ag�ncia francesa realizar� uma reuni�o com especialistas at� o final deste m�s para decidir sobre o assunto. A eventual proibi��o das pr�teses depender� das conclus�es dos pesquisadores.

"Os sinais s�o convincentes. Os casos aumentam. Estamos trocando informa��es com a FDA (Food and Drugs Administration) americana", afirma o professor Beno�t Vallet, diretor-geral da Sa�de, que determina as pol�ticas p�blicas francesas na �rea.

"Os profissionais da sa�de devem ficar muito mais vigilantes diante desse risco. As mulheres que usam pr�teses devem ser examinadas por um m�dico todos os anos."

Esc�ndalo

A descoberta de novos riscos envolvendo pr�teses mam�rias ocorre apenas cinco anos ap�s o esc�ndalo das pr�teses da marca francesa PIP, que chocou o pa�s. Elas eram fabricadas com um gel de silicone n�o autorizado para fins m�dicos e que continha aditivos de combust�vel n�o testados para uso cl�nico.

A PIP era o terceiro maior fabricante mundial de pr�teses mam�rias e exportava para in�meros pa�ses, incluindo o Brasil. Segundo a ANSM, cerca de 400 mil mulheres na Fran�a t�m pr�teses nos seios, sendo 80% delas por motivos est�ticos.


De Paris para a BBC Brasil
Por: Daniela Fernandes


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