Compra de aceleradores lineares para radioterapia ainda � promessa. Minist�rio diz que n�o h� prazo porque projetos est�o sendo readequados.
Dois anos ap�s a opera��o Sangue Frio, que trouxe � tona den�ncias de sucateamento do servi�o de oncologia nos hospitais p�blicos de Mato Grosso do Sul para beneficiar cl�nicas particulares, ainda faltam assist�ncia e estrutura adequadas para atender os pacientes com c�ncer pelo Sistema �nico de Sa�de (SUS).
O setor da radioterapia foi um dos mais prejudicados com o esquema de desvio de verba. A compra de novos aceleradores lineares pelo governo federal, por enquanto, � apenas uma promessa. Mato Grosso do Sul faz parte do Programa Nacional de Expans�o da Radioterapia, mas, na pr�tica, n�o h� data para a chegada dos equipamentos. Ainda h� pacientes na fila de espera por atendimento.
Por meio de nota, a assessoria do Minist�rio da Sa�de informou que o projeto de expans�o da radioterapia est� em andamento em todo o pa�s e que os primeiros aparelhos ser�o entregues ainda este ano. Entretanto, no estado, n�o h� prazo definido porque os projetos das obras est�o sendo readequados.
Na a��o da Pol�cia Federal (PF), Minist�rio P�blico e Controladoria-Geral da Uni�o (CGU), 20 pessoas foram indiciadas. As investiga��es, que come�aram bem antes da opera��o ser deflagrada em mar�o de 2013, ainda n�o acabaram.
Estrutura prec�ria
Dados da Secretaria Estadual de Sa�de (SES) apontam que, atualmente, 300 pacientes fazem tratamento de radioterapia pelo SUS em Mato Grosso do Sul, 200 na regi�o da Grande Dourados, onde est� instalado apenas um equipamento para atender a demanda de 34 munic�pios. Os outros 100 pacientes recebem atendimento em Campo Grande, que n�o consegue acabar com a fila de espera. Hoje, 24 pessoas com c�ncer aguardam para fazer radioterapia pelo SUS na capital sul-mato-grossense.
Apenas dois aceleradores lineares est�o em funcionamento para atender todos os pacientes que buscam atendimento em Campo Grande. Uma cl�nica particular presta servi�os ao SUS e o aparelho � de �ltima gera��o.
No Hospital de C�ncer (HC), o acelerador linear � t�o antigo que j� n�o h� pe�as para reposi��o em caso de defeito. A promessa de mudar essa realidade foi anunciada h� tr�s anos pelo Minist�rio da Sa�de com o Plano de Expans�o da Radioterapia, do Instituto Nacional de C�ncer (Inca). O governo federal prometeu a entrega de 80 equipamentos em todo pa�s e Mato Grosso do Sul deveria ser contemplado com tr�s: um no Hospital Regional (HR), um no Hospital Universit�rio (HU) e outro no Hospital Evang�lico de Dourados, mas nenhum acelerador linear foi instalado at� agora.
O titular da SES, Nelson Tavares, acredita que houve dificuldade do Minist�rio da Sa�de em viabilizar os recursos. "Houve at� um projeto de se trazer essa industria para o Brasil para diminuir o custo dele, � um custo que passa de 500 milh�es de reais na �poca. Ent�o � um problema nacional, n�o � s� de Mato Grosso do Sul. Inclusive n�o houve nem a licita��o desses aparelhos at� agora pelo Minist�rio da Sa�de", afirmou, garantindo que, assim que o minist�rio licitar os aparelhos e acenar com a possibilidade de recursos, o estado inicia imediatamente o procedimento.
O programa tamb�m prev� investimentos do governo federal para constru��o do bunker, local com isolamento de radia��o para instala��o do acelerador linear, em todos os hospitais selecionados.
Em janeiro de 2014, a TV Morena mostrou a �rea escolhida no HR, um espa�o de 1.400 metros quadrados que fica ao lado do Pronto Atendimento M�dico. As obras ainda n�o come�aram.
O cen�rio � o mesmo no HU. O terreno escolhido para a constru��o do bunker fica ao lado do atual setor de radioterapia, que est� desativado.
"A diretriz que damos �: primeiro fa�a-se a obra, crie-se a condi��o t�cnica para depois vir o equipamento e ele seja imediatamente instalado. N�o queremos, n�o admitimos a perman�ncia de equipamentos em caixa. Isso foi uma coisa que aconteceu h� um tempo por falha de planejamento. N�s temos que ter um planejamento claro de forma que venha a obra, as pessoas para acompanhar a instala��o e, finalmente, o que vem por �ltimo, o equipamento. Eu tenho quem sabe cuidar e o local adequado", explicou a presidente em exerc�cio da Empresa Brasileira de Servi�os Hospitalares (Ebserh), que administra o HU, Jeanne Michel.
Segundo Jeanne, os alvar�s da Vigil�ncia Sanit�ria e da Comiss�o Nacional de Energia Nuclear j� est�o prontos. Um concurso p�blico realizado em 2014 selecionou dois radioterapeutas e um novo concurso deve escolher dois f�sicos-m�dicos para atuar no setor. Ainda n�o h� previs�o de quando o servi�o ser� retomado pelo HU.
"Eu n�o tenho como te precisar uma data porque depende de uma conjun��o de fatores. Mas estamos trabalhando para que, at� o final de 2015, tenhamos a obra conclu�da e possamos pensar na instala��o do equipamento", declarou a presidente em exerc�cio da Ebserh.
O Hospital de C�ncer ficou de fora do Plano Nacional de Expans�o da Radioterapia. H� dois anos, a atual diretoria est� tentando conseguir um acelerador linear com o Minist�rio da Sa�de para atender mais de 60 pacientes por m�s.
"� importante que se diga que n�o d� para colocar o acelerador se n�o tiver o bunker. O hospital tem um bunker pr�prio com um equipamento antigo, se vier um equipamento de radioterapia novo, a gente pode colocar nesse bunker nosso fazendo uma pequena reforma, ou mesmo fazendo e tendo dois em funcionamento: um antigo e um novo. Tendo o segundo, a gente dobraria a capacidade de atendimento do hospital e, consequentemente, zerar�amos a fila para esse tipo de exame no estado", declarou o diretor-presidente do HC, Carlos Alberto Coimbra.
Do G1 MS com informa��es da TV Morena