Campo Grande (MS), Quarta-feira, 22 de Abril de 2026

Investigação mostra que 16 empresas integravam esquema de João Amorim

17/07/2015

16:34

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Jo�o Amorim, principal alvo da Opera��o Lama Asf�ltica: rede envolvia empresas e servidores corruptos (Foto: Marcos Erminio)

O esquema montado pelo grupo liderado por Jo�o Alberto Krampe Amorim dos Santos, que a Pol�cia Federal denomina de �organiza��o criminosa�, envolve corrup��o de servidores, fraudes em licita��o e uma verdadeira �reengenharia� entre as empresas, o que leva a equipe de investiga��o a suspeitar de �carteliza��o envolvendo construtoras�, com a participa��o de 16 empresas, lideradas pela Proteco.

Uma das estrat�gias para dar robutez �s empresas para que elas pudessem participar dos certames, era a integraliza��o de capital. Foi o que ocorreu com a Gerpav, de Arnaldo Angel Zelada Cafure e Gerardo Ruben Zelada Cafure. Em 2008, ela detinha pelo menos oito contratos com suspeitas de irregularidades, totalizando R$ 8 milh�es. Contratos que tinham contrapartidas do Governo Federal.

As investiga��es mostram que ao ser aberta em 2003, a Gerpav tinha capital de R$ 400 mil e com a integraliza��o feita em maio de 2008 foi para R$ 2,8 milh�es e em 2009 o capital subiu para R$ 4 milh�es. O que chamou a aten��o da equipe que fez os levantamentos que resultaram na Opera��o Lama Asf�ltica, realizada no �ltimo dia 9 em Campo Grande, � que mesmo com todo essa capital social a empresa n�o tinha bens, tanto que credores tiveram que recorrer � justi�a para cobrar d�vidas. E questionam como uma empresa que n�o tem bens, consegue vencer licita��es.

Os irm�os Arnaldo e Gerardo eram tamb�m donos da Socenge, que em 2010 foi vendida para Luciano Dolzan, genro de Jo�o Amorim, e que passou a se chamar LD Constru��es. A Socenge detinha v�rios contratos com a Prefeitura de Campo Grande ap�s e a sua venda, Gerardo Cafure virou funcion�rio da LD. A partir dessa negocia��o a empresa do genro de Amorim passou por v�rias mudan�as contratuais com a integraliza��o de capitais.

No entendimento dos investigadores, h� suspeita de que o grupo de Jo�o Amorim sabia das cl�usulas da concorr�ncia para o tratamento do lixo em Campo Grande, e por isso preparou o terreno para que a LD pudesse fazer parte do Cons�rcio CG Solurb, que venceu a disputa ganhando contrato no valor de R$ 1,3 bilh�o e passou a ter a concess�o para fazer o servi�o por 25 anos. O Cons�rcio foi o �nico a atender todos os requisitos do certame.

Criada em 1996, a Socenge tinha capital social de R$ 120 mil e depois de v�rias integraliza��es a empresa, em 2009, aumentou seu capital para R$ 6,5 milh�es e nesse ano tamb�m mudou o ramo de atividade, passou a ter condi��es de realizar o ciclo completo de tratamento de lixo.

Cinco meses depois, a Socenge foi transferida para os irm�os Luciano e Lucas Dolzan e em 2010 o capital da LD Constru��es chegou a R$ 32,4 milh�es. Para essa integraliza��o a LD Constru��es recebeu bens da Gerpav, Socenco e da Proteco

Fraudes � Outro mecanismo para a organiza��o de Jo�o Amorim ganhar dinheiro com execu��o de obras para o poder p�blico � a fraude em licita��es e a corrup��o de servidores. Conforme as investiga��es, em abril de 2013 a Agesul (Ag�ncia Estadual de Gest�o de Empreendimentos) contratou a empresa MP Engenharia Ltda, pertencente a Marcos Puga, para gerenciar e supervisionar as obras das rodovias MS-430, MS-162, Ms-010 e a MS-430, est� �ltima executada pela Proteco, com recursos tamb�m do BNDES.

Mas pelas escutas feitas pela Pol�cia Federal com autoriza��o da Justi�a Federal, as conversas de Marcos Puga sugerem que o servi�o dele � fraudar as planilhas e em troca recebe propina da organiza��o. No final de novembro de 2014 ele conversa com uma pessoa que possivelmente seja seu funcion�rio. Ele ensina como fraudar a planilha

�Zera esse item, s� que n�s vamos ter que achar algum servi�o pra substituir, concorda?�, diz ele, no que o rapaz com quem conversa pelo telefone responde: �A� vai ter que acrescentar alguma coisa�. Nesse momento, mesmo distante, Marcos Puga mostra toda a habilidade para essa tarefa: �A� c� vai l� na escava��o de bueiro, na reprograma��o, aumenta a altura, em vez de 80, p�e 82, 84 cent�metros, vai aumentando, entendeu, de tal maneira que voc� vai ficar perto do zero, voc� n�o vai conseguir zerar�.

Em seguida Puga diz: �C� vai l� na planilha de grama t�, muito cuidado na planilha de grama, voc� n�o pode simplesmente mexer, c� vai l� nas �ltimas gramas, certo, tem rotat�ria, tem ramo 100, ramo 200, ramo 300, t�, no �ltimo do ramos eu coloquei grama com 3 d�gitos pra poder zerar, se a grama n�o tiver 3 d�gitos voc� n�o zera, captou, a maior parte voc� faz na escava��o de bueiro, l� em cima do item 3.1, o finalmente voc� zera na grama, mixaria, captou?�



Fonte: campograndenews
Por: Paulo Yafusso
Link Original: http://www.campograndenews.com.br/politica/investigacao-mostra-que-16-empresas-integravam-esquema-de-joao-amorim

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