Pessoas afirmam que n�o querem mais voltar para o distrito devido aos conflitos
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Fam�lias retiraram o que conseguiram e deixaram suas casas em distrito. (Foto: Marcos Erm�nio)
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A ocupa��o de ind�genas do distrito de Campestre em Ant�nio Jo�o - a 279 quil�metros de Campo Grande, fez com que 55 fam�lias deixassem suas casas nesta semana. O medo de um grande conflito entre �ndios e propriet�rios rurais motivou as pessoas a mudar para a cidade.
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Ind�genas ocuparam as casas e fazem seus rituais para (Foto: Marcos Erm�nio)
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Hoje, apenas duas fam�lias permanecem no distrito tomado pelos �ndios. Ram�o Gon�alves, 29, continua em sua casa e conta que j� tirou a maioria de suas coisas e distribuiu em casa de parentes, mas n�o tem para onde ir, por isso continua no local. Seu tio Ram�o Fernandes Roa, 46, foi hoje conversar com as lideran�as ind�genas.
"Os �ndios nos deram um prazo para sair, at� encontram outro lugar. Est� na hora do governo decidir alguma coisa. Estamos vivendo uma situa��o de medo e parte das fam�lias j� foi para a cidade", contou Ram�o Fernandes. J� o professor Ronaldo Gon�alves, 20, conta que deixou sua casa na noite de ontem.
Ele e a fam�lia foram morar em uma casa nas margens da rodovia. "Minha av� que tamb�m foi expulsa de casa veio morar com a gente. Estamos em fogo cruzado, ao mesmo tempo que e os �ndios nos expulsam, nem sempre conseguem ir para a cidade por causa do bloqueio das rodovias feito pelos produtores", conta o professor Ronaldo.
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Moradora do distrito mudou as pressas para a cidade e ainda n�o tem local para deixar toda a sua mudan�a. (Foto: Marcos Erm�nio) |
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M�veis, roupas e demais pertences das fam�lias ainda espalhada pelas varandas (Foto: Marcos Erm�nio)
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Mudan�a - Enquanto umas ainda resistem, outras j� decidiram deixar de vez o distrito para evitar outros problemas. A funcion�ria p�blica Marcelina Gon�alves, 39, nasceu e cresceu em Campestre, mas nessa semana pegou suas coisas, os cinco filhos e se mudou para a cidade. "A vida l� sempre vai ser desse jeito, n�o quero mais passar por isso".
Ela trabalha como agente comunit�ria de sa�de no distrito, mas pediu transfer�ncia para a cidade. "Come�amos a ver os �ndios l� e os produtores sempre por perto, al�m dos boatos que saem o tempo todo. Como eu tenho crian�a pequena, achei melhor sair de uma vez", conta Marcelina.
A cozinheira Sueli Pereira, 47, conta que n�o sofreu amea�a, mas que falaram para ela que iam ocupar o distrito. "Fiquei com medo, sa� s� com as roupas do corpo, �s pressas". Entre as fam�lias que deixaram suas casas, o discurso � de incerteza sobre o futuro. "Ainda n�o sabemos o que vai acontecer. As fam�lias se mudam por medo, mas n�o temos certeza de nada", conta Jorge Ricardi, 29, que tem uma filha que deixou o distrito.
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(Foto: Marcos Erm�nio) |
�ndios - Os �ndios guarani-kaiow� lutam pela demarca��o do territ�rio ��anderu Marangatu�, e segundo o Cimi (Conselho Indigenista Mission�rio) dos 9.700 hectares da �rea apontada como terra ind�gena, faltam apenas duas propriedades para serem �retomadas".
Inaye Gomes Lopes, 27, � uma das lideran�as dos ind�genas e est� na fazenda Pio Silva. Ela conta que atualmente s�o 3 ml ind�genas distribu�dos em cinco fazendas de Ant�nio Jo�o e que a ocupa��o tem sido feita de forma pac�fica. "N�o estamos fazendo ningu�m ref�m, liberamos os caseiros. S� queremos reaver o espa�o que � nosso. N�o estamos depredando nada, estamos cuidando dos animais e dos materiais", diz.
A l�der ind�gena ainda afirma que ainda n�o foram procurados pelos fazendeiros para negociar. "Agora � a hora deles procurarem a Justi�a para conseguir os direitos. H� 18 anos n�s lutamos por essas terras e agora � hora dos propriet�rios rurais". A preocupa��o dela � em rela��o a comida, que tem pouca para alimentar todos e em breve ser� preciso buscar mais.
Outro ind�gena, Avelino da Silova, 26, pede que os propriet�rios retirem as coisas deles. "Tem ind�genas paraguaios e at� outras pessoas que podem entrar e at� depredar as coisas. Demos prazos de 15 a 20 dias para eles retirarem as coisas, mas a entrada tem que ser feita junto com a Pol�cia Federal", afirma. "N�o vamos aceitar dividir a terra. Vamos esperar a Justi�a".
Sobre os boatos de que eles querem atear fogo na cidade e at� nas fazendas, os ind�genas dizem que � mentira, que ningu�m expulsou os moradores e nem pegou gasolina. "N�o estamos tirando ningu�m das casas, as pessoas que saem porque est�o com medo".
Em nota emitida hoje, o Cimi atribui os boatos de inc�ndio na cidade ao Sindicato Rural, �rg�o comandado pelos fazendeiros."A popula��o chegou a ser informada de que os Guarani e Kaiow� poderiam atear fogo � cidade, boato sem registros hist�ricos de um dia ter sido cometido pelos ind�genas"
Hist�ria - A reserva dos guarani-kaiow� em Antonio Jo�o foi homologada em 2005 pelo ent�o presidente Luiz In�cio Lula da Silva depois de duas d�cadas de luta entre �ndios e fazendeiros. Naquele mesmo ano, no entanto, o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu a homologa��o e o caso est� parado h� uma d�cada. Conforme o Cimi, os �ndios j� ergueram acampamentos nas fazendas Primavera, Pedro, Fronteira, Barra e Soberania.
�Restam apenas duas para �anderuMarangatu ser ocupada na �ntegra pelos ind�genas. Os guarani-kaiow� exigem do governo a presen�a da For�a Nacional na regi�o�, afirma o �rg�o. As fazendas pertencem ao ex-prefeito de Antonio Jo�o, D�cio Queiroz Silva e seus irm�os.
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Crian�as tamb�m est�o entre os ind�genas da ocupa��o. (Foto: Marcos Erm�nio) |
Fonte: campograndenews
Por: Priscilla Peres e Filipe Prado, enviado especial a Ant�nio Jo�o
Link original: http://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/indios-ocupam-distrito-e-medo-de-guerra-tira-55-familias-de-casas