MARCO NA SAÚDE
Hospital Regional de Ponta Porã realiza primeira captação de órgãos e beneficia pacientes do SUS
Procedimento inédito mobilizou equipes especializadas e garantiu a doação de rins, fígado e córneas
15/04/2026
07:35
REDAÇÃO
Hospital Regional de Ponta Porã realiza primeira captação de órgãos com apoio de equipes especializadas @Divulgação
Referência em saúde pública na região de fronteira sul, o Hospital Regional de Ponta Porã realizou, na noite de segunda-feira (12), o primeiro procedimento de captação de órgãos da unidade. A ação possibilitou a doação de dois rins, duas córneas e um fígado, beneficiando pacientes que aguardam na fila de transplantes do Sistema Único de Saúde. A doadora era uma jovem de 32 anos.
O procedimento foi resultado de uma cooperação técnica entre a Organização de Procura de Órgãos de Dourados, a equipe de Doação para Transplantes do hospital e um grupo especializado de Campo Grande, liderado pelo cirurgião Gustavo Rapassi, diretor clínico da Fratello Transplantes.
Toda a operação contou com o apoio da Central Estadual de Transplantes, responsável por coordenar todas as etapas do processo, desde a notificação do potencial doador até a distribuição dos órgãos. O órgão também gerencia a logística, que envolve transporte aéreo e terrestre, além da atuação de equipes especializadas.
Inicialmente prevista para o fim da tarde, a captação foi realizada às 23h15 devido à instabilidade meteorológica. O mau tempo impediu o pouso de uma aeronave da Força Aérea Brasileira, que se deslocava de Brasília, exigindo a readequação de toda a logística da operação.
De acordo com a coordenadora da Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul, Claire Carmen Miozzo, avanços recentes têm contribuído para maior agilidade no processo, especialmente na confirmação do diagnóstico de morte encefálica, que hoje conta com exames mais precisos.
Para o diretor técnico do hospital, o médico Antonio Martinussi, o gesto da família da doadora transformou um momento de dor em esperança. Segundo ele, a doação de órgãos permite salvar vidas e dar novo significado à perda.
A enfermeira responsável pela equipe de doação, Gemana Fortaleza, destacou que a iniciativa representa um avanço importante e abre caminho para o fortalecimento das ações de transplantes na região.
O resultado da operação reflete também a modernização da unidade hospitalar. Desde agosto de 2025, o hospital é gerido pelo Instituto Social Mais Saúde e conta com 117 leitos, incluindo unidades de terapia intensiva, além de centro cirúrgico com três salas e equipe formada por cerca de 100 profissionais.
Além de atendimentos de urgência e emergência, a unidade também realiza procedimentos ambulatoriais. Para o diretor-geral do hospital, Alex Cruz, a captação inédita reforça o papel estratégico da instituição na rede de saúde do Estado.
O sistema de doação de órgãos no Brasil segue protocolos rigorosos, com exigência de confirmação da morte encefálica e autorização da família. Conforme as normas, a identidade dos doadores e receptores, assim como o destino dos órgãos, permanece em sigilo.
A Central Estadual de Transplantes reforça que todo o processo só é possível graças à solidariedade das famílias, que, mesmo em meio à dor, optam por salvar outras vidas por meio da doação.
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