VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Em dez dias, MS registra 478 casos de violência doméstica
Campo Grande concentra maior número de ocorrências e dados mostram que agressões atingem mulheres de todas as idades
11/01/2026
08:00
REDAÇÃO
Dados do TJMS mostram que a violência doméstica segue atingindo mulheres de todas as idades em Mato Grosso do Sul.
Antes mesmo de completar o primeiro mês de 2026, os números da violência doméstica em Mato Grosso do Sul já são considerados alarmantes. Apenas nos dez primeiros dias do ano, 478 mulheres foram vítimas desse tipo de crime no Estado, conforme dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). Dos 79 municípios sul-mato-grossenses, somente 15 não registraram nenhuma ocorrência no período.
Campo Grande concentra o maior número de casos, com 155 registros, mantendo-se como o principal polo de notificações do Estado. O levantamento aponta que a violência atinge majoritariamente mulheres adultas, com idades entre 30 e 59 anos, seguidas pelas jovens de 18 a 29 anos. Ainda assim, os dados revelam que as agressões atravessam gerações, com 39 casos envolvendo idosas, 14 adolescentes e quatro crianças.
O perfil racial das vítimas permanece semelhante ao de levantamentos anteriores. Das 478 ocorrências, 267 foram contra mulheres pardas, 119 contra brancas, 36 contra pretas, 12 contra indígenas e duas contra amarelas. Em outros 42 registros, a informação sobre cor ou raça não foi informada no momento da denúncia.
Na Capital, as notificações continuam concentradas, principalmente, em bairros da periferia. Parque do Lageado, Los Angeles e Jardim Colúmbia lideram o número de registros, seguidos por Itamaracá, Centenário, Guanandi e Cabreúva, reforçando o recorte territorial da violência doméstica em Campo Grande.
Os dados também indicam que o ambiente doméstico segue como o principal cenário das agressões. Ao todo, 303 ocorrências foram registradas em residências ou locais similares, enquanto 78 aconteceram em vias urbanas, demonstrando que a violência, embora predominante dentro de casa, também extrapola os limites do lar.
Em relação ao vínculo entre agressor e vítima, o levantamento aponta que, em 77 casos, a violência foi cometida pelo cônjuge, evidenciando a proximidade entre vítima e agressor como fator recorrente nesse tipo de crime.

No início deste mês, um caso noticiado detalhou a rotina de violência enfrentada por uma criança no Jardim Los Angeles, em Campo Grande. A menina precisou ligar nove vezes para o 190 até conseguir denunciar as agressões sofridas dentro de casa. A ocorrência expôs uma realidade marcada pela vulnerabilidade social e pela reincidência da violência, principalmente contra a criança.
Segundo relato da mãe, as agressões praticadas pelo companheiro eram frequentes e direcionadas, sobretudo, à filha, incluindo xingamentos, agressões físicas e tentativas de asfixia. No dia 2 de janeiro, durante rondas na região, a Polícia Militar foi acionada após a criança ligar para o 190, conforme havia aprendido na escola. O homem foi preso em flagrante e o caso encaminhado à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).
Como comparação, em janeiro de 2025, Mato Grosso do Sul registrou 1.961 vítimas de violência doméstica, sendo 744 casos em Campo Grande. Os dados reforçam que, mesmo com campanhas e políticas públicas de enfrentamento, os índices permanecem elevados e preocupantes já no início de 2026.
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