Campo Grande (MS), Sábado, 10 de Janeiro de 2026

SAÚDE PÚBLICA

Janeiro Roxo reforça combate à hanseníase com qualificação estadual sobre diagnóstico precoce

Capacitação promovida pela SES será realizada por webinário e tem foco no reconhecimento de sinais, investigação de contatos e interrupção da transmissão da doença

09/01/2026

10:00

REDAÇÃO

MARIA GORETI

Qualificação estadual da SES será realizada de forma on-line e reúne profissionais de saúde de todos os municípios de Mato Grosso do Sul.

Em alusão à campanha Janeiro Roxo, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) promove, no dia 21 de janeiro, uma qualificação estadual voltada a profissionais de saúde, com foco no fortalecimento do diagnóstico precoce da hanseníase. A iniciativa integra a campanha nacional “Janeiro a Janeiro: Vencer a hanseníase é cuidar do Brasil o ano inteiro”, desenvolvida em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

A capacitação abordará o reconhecimento dos sinais e sintomas da doença, além da aplicação do teste rápido em contatos de casos novos. A ação será realizada para todo o Estado por meio da plataforma Telessaúde, com apoio técnico do Hospital de Referência São Julião e participação de consultores do Ministério da Saúde, ampliando o suporte às equipes da Rede de Atenção à Saúde.

O webinário “Qualificação em Hanseníase” ocorrerá das 8h30 às 10h30, no horário de Mato Grosso do Sul, e é destinado a profissionais de saúde e coordenadores municipais dos 79 municípios. A atividade será conduzida pelo coordenador do Programa de Hanseníase do Ambulatório do Hospital São Julião, Augusto Brasil Filho, e pelos consultores Marcela Campos e Alexandre de Macedo, da Coordenação-Geral de Vigilância da Hanseníase e Doenças em Eliminação, vinculada à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Segundo a consultora em hanseníase da Gerência Estadual de Tuberculose, Hanseníase e Micoses Endêmicas da SES, Fabiana Pisano, a qualificação é estratégica para interromper a transmissão da doença. De acordo com ela, o diagnóstico precoce, o tratamento oportuno e a investigação de contatos que convivem ou conviveram de forma prolongada com casos novos são as principais formas de prevenção.

Entre os principais sinais de alerta da hanseníase estão manchas na pele, que podem ser brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas, associadas à perda ou alteração da sensibilidade ao calor, ao frio, à dor ou ao toque. Também podem ocorrer formigamento ou sensação de choques, especialmente em braços e pernas, além de inchaço de mãos e pés, ressecamento da pele, queda de pelos, principalmente das sobrancelhas, presença de nódulos e, em alguns casos, sangramentos nasais. Ao identificar qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar uma unidade de saúde.

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação indicam que Mato Grosso do Sul registrou 1.950 casos de hanseníase entre 2021 e 2025, com aumento das notificações em 2024 e 2025, o que reforça a necessidade de ações contínuas de vigilância, capacitação profissional e conscientização da população.

A hanseníase tem cura, o tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde e o risco de transmissão é eliminado logo nas primeiras doses da medicação. A identificação precoce é fundamental para garantir melhores resultados e evitar complicações ao longo do tempo.


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