Pedro Ladeira/Folhapress
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| Com a vit�ria de Dilma Rousseff, o PT chega ao 4� mandato seguido no governo federal |
Ap�s uma campanha de intensa polariza��o no segundo turno, a presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita neste domingo (26) e impediu a virada do senador mineiro A�cio Neves, candidato do PSDB - nunca um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno foi eleito presidente do Brasil.
Com 100% das urnas apuradas, Dilma obteve 51,64% dos votos e A�cio, 48,36%. A diferen�a de votos era de 3,4 milh�es. Essa foi a menor diferen�a de votos em um segundo turno desde a redemocratiza��o.
Antes disso, a disputa mais apertada foi em 1989, quando Fernando Collor de Mello (ent�o no PRN) venceu Luiz In�cio Lula da Silva (PT) por 4 milh�es de votos. Na �poca, Collor teve 53,03% contra 46,97% de Lula.
Nas outras elei��es presidenciais decididas em duas etapas, a diferen�a entre o vencedor e o segundo colocado foi maior. Em 2002, Lula teve 19,4 milh�es de votos a mais do que Jos� Serra (PSDB). Quatro anos depois, Lula foi reeleito com uma margem ainda maior: 20,7 milh�es de votos a mais do que Geraldo Alckmin (PSDB). J� na �ltima elei��o, a diferen�a voltou a se estreitar, e Dilma bateu Serra por 12 milh�es de votos.
Apura��o do 2� turno - Presidente
51,64% - Dilma (PT) - REELEITA54.501.118 votos
48,36% - A�cio Neves (PSDB)51.041.155 votos
Fonte: TSE
Com a vit�ria, o Partido dos Trabalhadores vai para o quarto mandato seguido e dever� completar 16 anos � frente do governo federal.
No primeiro discurso ap�s a vit�ria, Dilma pediu uni�o aos brasileiros e disse n�o acreditar que o pa�s tenha sa�do dividido das elei��es. "N�o acredito, sinceramente, do fundo do meu cora��o, n�o acredito que essas elei��es tenham dividido o pa�s ao meio. Entendendo, sim, que elas mobilizaram ideias, emo��es �s vezes contradit�rias, mas movidas por um sentimento comum, a busca de um futuro melhor para o pa�s", afirmou.
Primeira mulher a presidir o pa�s, a petista liderou a vota��o no primeiro turno, mas passou a maior parte da campanha do segundo turno em situa��o de empate t�cnico com A�cio nas pesquisas de inten��o de voto.
� a quarta derrota seguida que o PT imp�e aos tucanos nas elei��es presidenciais. O ex-presidente Luiz In�cio Lula da Silva e Dilma venceram Jos� Serra � duas vezes -- e Geraldo Alckmin nas elei��es de 2002, 2006 e 2010.
Com Dilma, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) tamb�m foi reeleito. Os dois tomar�o posse do novo mandato em 1� de janeiro de 2015.
Dilma Rousseff
Partido: PT
Nascimento: 14/12/1947, em Belo Horizonte (MG)
Ocupa��o: Presidente da Rep�blica
Vice: Michel Temer (PMDB)
Coliga��o: Com a for�a do povo (PT / PMDB / PSD / PP / PR / PROS / PDT / PC do B / PRB)
Trajet�ria
Nascida em Belo Horizonte (MG) em 14 de dezembro de 1947, Dilma tem 66 anos, � divorciada, tem uma filha e um neto. Durante a ditadura militar (1964-1985), integrou organiza��es como a VAR-Palmares, que defendia a luta armada. Ficou presa entre 1970 e 1972 e foi torturada.
Depois de solta, mudou-se para Porto Alegre com o companheiro Carlos Ara�jo e formou-se em ci�ncias econ�micas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Iniciou o mestrado em economia na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), mas n�o concluiu.
No per�odo final da ditadura, ajudou a fundar o PDT no Rio Grande do Sul. Trabalhou na Funda��o de Economia e Estat�stica, na Assembleia Legislativa do Estado e na C�mara Municipal da capital ga�cha.
Nos anos 80, foi secret�ria da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre. Na d�cada seguinte, atuou como secret�ria de Minas e Energia do governo ga�cho. Filiou-se ao PT em 2001 e integrou o governo Lula desde o in�cio, em 2003. Foi ministra de Minas e Energia e, depois, ministra-chefe da Casa Civil.
Indicada por Lula, disputou sua primeira elei��o em 2010 e j� como candidata a presidente. Foi ao segundo turno contra Jos� Serra (PSDB) e, com 55,7 milh�es de votos, tornou-se a primeira mulher eleita presidente na hist�ria do pa�s.
Tomou posse em 1� de janeiro de 2011 e teve altos �ndices de aprova��o nos primeiros anos de gest�o. Em mar�o de 2013, a aprova��o ao modo de governar da presidente atingiu o recorde de 79%, de acordo com pesquisa CNI/Ibope.
Entre as realiza��es de seu primeiro mandato, est�o o programa Mais M�dicos, o Pronatec (Programa Nacional Nacional de Acesso ao Ensino T�cnico e Emprego), a expans�o do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e investimentos em obras de infraestrutura e mobilidade. Em setembro, o governo comemorou aexclus�o do pa�s do Mapa da Fome da ONU (Organiza��o das Na��es Unidas).
Protestos, den�ncias e problemas na economia
A avalia��o do governo piorou ap�s os protestos de junho de 2013, mas os levantamentos continuaram a apontar o favoritismo de Dilma na disputa eleitoral.
A petista passou o ano de 2014 enfrentando den�ncias relacionadas � Petrobras, envolvendo o ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa, preso pela Pol�cia Federal. Ele � suspeito de operar um esquema de desvio de recursos da estatal, com o envolvimento de pol�ticos e partidos.
A presidente tamb�m enfrentou cr�ticas em rela��o � condu��o da pol�tica econ�mica. O PIB (Produto Interno Bruto) do pa�s teve um crescimento m�dio de 2% por ano entre 2011 e 2013, o n�vel mais baixo desde o governo Collor. Nos dois primeiros trimestres de 2014, os resultados do indicador foram negativos, o que deixou o pa�s em uma recess�o t�cnica.
A infla��o acumulada nos �ltimos 12 meses ficou acima do limite m�ximo da meta do governo, que � de 6,5%. Dilma atribuiu os problemas � crise econ�mica internacional e afirmou que a condu��o da pol�tica economia teve o m�rito de preservar o n�vel de emprego no pa�s.
Campanha tensa
Durante a campanha do primeiro turno, as pesquisas de inten��o de voto chegaram a apontar uma amea�a ao favoritismo de Dilma para conseguir a reelei��o. Isso aconteceu entre o fim de agosto e o come�o de setembro, quando a ex-senadora Marina Silva foi oficializada como candidata a presidente pelo PSB, ap�s a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.
Quando Marina cresceu nas pesquisas, a campanha petista procurou desgastar a imagem da candidata do PSB. A estrat�gia surtiu efeitos nos dois momentos, com o aumento da rejei��o aos nomes da ex-senadora e do tucano.
Marina e outros candidatos derrotados no primeiro turno, como Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV), Levy Fidelix (PRTB) e Jos� Maria Eymael (PSDC), preferiram apoiar A�cio na reta final.
Dilma n�o obteve o apoio formal de partidos de fora de sua coliga��o, mas conseguiu atrair o ex-presidente do PSB Roberto Amaral. Apesar das dificuldades, a aprova��o a seu governo voltou a crescer ao longo da campanha eleitoral.
No segundo turno, com o eleitorado dividido, os primeiros encontros entre Dilma e A�cio nos debates presidenciais foram marcados por muita tens�o, com discuss�es agressivas sobre casos de corrup��o. Enquanto o senador mineiro citava aden�ncia de desvio de recursos da Petrobras, a presidente apontava casos envolvendo o PSDB, como o mensal�o tucano; o fato de o governo mineiro ter constru�do um aeroporto dentro da fazenda de M�cio Tolentino, tio de A�cio; e acusa��es de nepotismo.
Ao fim do encontro promovido pelo UOL, pelo SBT e pela r�dio Jovem Pan, no �ltimo dia 16, a presidente admitiu que o debate havia sido "renhido" e chegou a passar mal quando concedia uma entrevista.
Desafios
Um primeiro desafio para Dilma � como lidar com um pa�s dividido. Esta foi a elei��o presidencial mais disputada desde 1989. O tom elevado das duas campanhas, especialmente na reta final, pode fazer com que o di�logo entre a presidente eleita e a oposi��o fique mais dif�cil. Para Josias de Souza, blogueiro doUOL, a disputa deixou "um rastro pegajoso de rancor e incompreens�es; na oposi��o, PT ou PSDB tendem a elevar o tom".
Alguns dos temas abordados com mais veem�ncia nesta elei��o n�o acabaram com a vota��o de hoje, como a corrup��o na Petrobras. As investiga��es devem avan�ar em 2015 e podem abalar o PT e partidos da base aliada. No �ltimo dia 18, Dilma admitiu que houve desvios de recursos na estatal e prometeu buscar o ressarcimento dos cofres p�blicos.
Dilma precisar� de um novo ministro da Fazenda, que ter� o desafio de reaquecer a economia e combater a infla��o, sem elevar a taxa de desemprego. Durante a disputa eleitoral, a presidente afirmou que o ministro Guido Mantega n�o continuar� no cargo. O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, deve permanecer como figura influente no governo.
Entre as propostas que Dilma apresentou durante a campanha, est� a cria��o de uma Academia Nacional de Seguran�a P�blica para a forma��o de policiais. O programa de governo prev� o fortalecimento do controle de fronteiras e de a��es de combate a organiza��es criminosas e � lavagem de dinheiro.
Para levar adiante as medidas propostas, � importante ter maioria no Congresso. A aprova��o de projetos de lei depende de maioria simples, ou seja, precisa contar com o apoio de 257 deputados e de 41 senadores. Para promover mudan�as na Constitui��o, s�o necess�rios 308 votos na C�mara e 49 no Senado.
A coliga��o de Dilma -- formada por PT, PMDB, PSD, PP, PR, PRB, PDT, PROS e PC do B -- elegeu 304 deputados federais e 51 senadores. Ou seja, em tese, ela tem maioria no Congresso, mas precisa evitar deser��es de parlamentares da base e conseguir mais alguns votos na C�mara caso pretenda fazer altera��es na Constitui��o.
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26.out.2014 - O candidato derrotado � Presid�ncia pelo PSDB, A�cio Neves (dir.), cumprimenta seu candidato a vice na chapa, Aloysio Nunes (PSDB), em entrevista concedida ap�s o reconhecimento da derrota para a candidata do PT, Dilma Rousseff neste domingo (26). "Cumpri minha miss�o", disse ele Yasuyoshi Chiba/AFP
Fonte: Uol/J.CORREIOMS