Campo Grande (MS), Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026

ECONOMIA

Endividamento cresce em Campo Grande e revela diferenças no perfil das dívidas por faixa de renda

Pesquisa aponta aumento dos compromissos parcelados e mudanças no tipo de dívida conforme o nível de renda das famílias

14/01/2026

08:40

REDAÇÃO

Pesquisa da CNC mostra evolução do endividamento e da inadimplência das famílias em Campo Grande ao longo de 2025 @JCMS/ILUSTRAÇÃO

Campo Grande encerrou 2025 com aumento no endividamento das famílias, considerando o conceito de dívidas parceladas, como cartão de crédito, carnês e financiamentos, que se diferencia da inadimplência, caracterizada pelas contas em atraso. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com análise do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS.

De acordo com o levantamento, 68,6% das famílias campo-grandenses estavam endividadas em dezembro de 2025, índice superior aos 65,0% registrados no mesmo período de 2024. O resultado indica aumento dos compromissos parcelados ao longo do ano, como cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais, prestações de veículos e seguros. Em números absolutos, são 226.248 famílias endividadas na Capital.

Já os indicadores de inadimplência apresentaram comportamento misto. O percentual de famílias com contas em atraso recuou de 30,3% para 29,4% na comparação anual. Em contrapartida, houve aumento na proporção de famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas, que passou de 12,5% para 13,7% em dezembro de 2025.

A pesquisa também mostra que o perfil do endividamento varia conforme a renda familiar. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, há maior concentração de dívidas em carnês, modalidade geralmente associada ao consumo parcelado no varejo. Nesse grupo, 21,7% das famílias endividadas possuem esse tipo de compromisso, percentual bem acima do observado entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, onde os carnês aparecem em 12,5% dos lares.

O dado indica que as famílias de menor renda recorrem com mais frequência ao parcelamento direto no comércio, muitas vezes com custos embutidos mais elevados. Já entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o endividamento está mais ligado a financiamentos de maior valor, como veículos, que atingem 19,6% desse grupo, contra 9,1% entre as famílias de menor renda. Esse comportamento reflete maior acesso ao sistema financeiro formal e a linhas de crédito de longo prazo.

O cartão de crédito segue como o principal instrumento de endividamento em todas as faixas de renda. No entanto, sua incidência é maior entre as famílias com renda mais elevada, alcançando 69,6% dos lares acima de dez salários mínimos, frente a 65,9% entre aquelas com renda de até dez salários mínimos, reforçando seu peso no orçamento doméstico.

Para a economista do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS, Regiane Dedé de Oliveira, a análise por faixa de renda é fundamental para compreender os desafios enfrentados por cada grupo. Segundo ela, famílias de menor renda tendem a utilizar instrumentos de crédito mais imediatos, como carnês, enquanto as de maior renda acessam financiamentos mais estruturados, o que demanda políticas e ações de educação financeira adaptadas a cada realidade.

 


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