Campo Grande (MS), Terça-feira, 07 de Julho de 2026

SAÚDE PÚBLICA

Funcionários da Santa Casa entram no segundo dia de protestos por pagamento do 13º salário

Paralisação parcial reúne trabalhadores de diferentes setores; sindicatos não descartam greve caso não haja avanço nas negociações

23/12/2025

08:25

REDAÇÃO

Pelo segundo dia consecutivo, funcionários da Santa Casa de Campo Grande mantêm protesto em frente ao hospital para cobrar o pagamento do décimo-terceiro salário. Desde as primeiras horas da manhã desta terça-feira (23), trabalhadores de diversos setores, como limpeza, enfermagem e áreas administrativas, se concentraram na entrada principal da unidade.

Com a chegada de novos turnos, parte dos funcionários deixou de assumir os postos e aderiu à manifestação. Os trabalhadores rejeitam a proposta de parcelamento apresentada pela direção do hospital e defendem o pagamento integral do benefício.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems), Lázaro Santana, cerca de 100 pessoas já participavam do ato logo no início da manhã, com apoio de representantes de outros sindicatos. Sem avanço nas negociações, o movimento decidiu manter a paralisação parcial e avalia a convocação de uma assembleia para discutir a possibilidade de greve.

Atualmente, aproximadamente metade da equipe aderiu ao protesto, enquanto o restante segue atuando nos atendimentos e serviços considerados essenciais, com o objetivo de evitar prejuízos imediatos aos pacientes.

Diferentemente do primeiro dia, os manifestantes intensificaram o ato com o uso de panelas, apitos e palavras de ordem no principal acesso ao hospital. A presidente da Santa Casa, Alir Terra, ao chegar à unidade, foi alvo de vaias por parte dos funcionários.

A direção do hospital afirma que, até o momento, não houve impacto significativo nos atendimentos, mas admite que setores como a limpeza do centro cirúrgico podem ser afetados caso a mobilização se prolongue. Segundo Alir Terra, o problema é estrutural e está relacionado ao desequilíbrio econômico do contrato e aos repasses destinados ao atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela informou que a instituição não dispõe de recursos no momento e estuda a contratação de um empréstimo bancário para quitar o pagamento do décimo-terceiro, alternativa que pode levar alguns dias para se concretizar.

Na segunda-feira (22), a Santa Casa chegou a limitar as visitas a pacientes, autorizando apenas um familiar no período da manhã, com suspensão das visitas à tarde e à noite. A diretoria informou que aguardava repasses do governo estadual para efetuar o pagamento, mas o Estado respondeu que está em dia com os valores da contratualização, repassados regularmente ao município de Campo Grande. Em novembro, houve um acréscimo de R$ 516,5 mil, elevando o repasse mensal para R$ 9,59 milhões.

A crise financeira também envolve a situação contratual do hospital, que há anos opera sem renovação formal da contratualização com a prefeitura, funcionando por meio de aditivos. Segundo estimativas apresentadas nas negociações, o total devido a funcionários e contratados, incluindo o décimo-terceiro, chega a aproximadamente R$ 13 milhões.

Paralelamente, os médicos decidiram não aderir à greve. Em assembleia realizada pelo Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Simmed), a categoria optou por ingressar com ação judicial para cobrar o pagamento do décimo-terceiro e rejeitou a proposta de parcelamento em três vezes, previstas para janeiro, fevereiro e março de 2026.

A situação chegou ao Judiciário, que determinou que Estado e Município apresentem uma proposta para enfrentar a crise da Santa Casa. O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, afirmou que já apresentou um plano à prefeitura e à direção do hospital, defendendo mudanças na gestão e maior participação médica, além da revisão do modelo contratual atualmente em vigor.

 


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