SAÚDE RESPIRATÓRIA
Inverno pode aumentar crises de asma e exige atenção redobrada com prevenção
Especialistas orientam manter o tratamento em dia, atualizar a vacinação e reduzir a exposição a fatores que desencadeiam a doença durante os meses mais frios
11/07/2026
08:00
REDAÇÃO
MARIA GORETI
Viroses, ambientes fechados e contato com poeira acumulada em cobertores e casacos podem favorecer crises de asma durante o inverno. @Reprodução
Com a chegada do inverno, pessoas com asma precisam redobrar os cuidados para evitar crises da doença. O aumento da circulação de vírus respiratórios, a permanência em ambientes fechados e o contato com poeira acumulada em cobertores, casacos e outros objetos guardados por longos períodos são alguns dos principais fatores que podem agravar o quadro, especialmente entre crianças e adolescentes.
Especialistas destacam que manter o tratamento preventivo em dia é a principal forma de evitar complicações. Segundo o coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, o frio, por si só, não é o responsável pelas crises.
De acordo com o médico, o problema está relacionado principalmente ao aumento das infecções respiratórias típicas desta época do ano. Quando a asma não está controlada, uma gripe ou resfriado pode intensificar a inflamação das vias aéreas e desencadear uma crise.
O especialista ressalta que a maioria dos pacientes precisa utilizar a medicação continuamente, independentemente da estação do ano. Além disso, recomenda manter a vacinação atualizada contra Influenza, Covid 19 e vírus sincicial respiratório (VSR), reduzindo o risco de agravamento da doença e de hospitalizações.
Segundo Pizzichini, o Brasil possui cerca de 20 milhões de pessoas com asma, e muitas delas apresentam uma ou duas infecções respiratórias por ano. Ele também chama atenção para a importância do atendimento na atenção primária, principalmente para crianças, já que sintomas como chiado no peito podem passar despercebidos sem avaliação adequada.
Dados do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), reunidos pela organização Umane, mostram que crianças e adolescentes de até 14 anos representam a maior parte das internações por asma no país.
Em julho de 2024, foram registradas 4.034 internações nessa faixa etária, quase o dobro das 2.108 ocorridas em janeiro do mesmo ano. No total, o Brasil contabilizou 52.087 internações por asma ao longo de 2024, sendo que 73,7% envolveram pacientes de até 14 anos.
Para a pneumologista Marcela Marques, do Atendimento Multiassistencial de Saúde da Umane, medidas simples dentro de casa ajudam a reduzir significativamente o risco de crises.
Entre as recomendações estão manter os ambientes bem ventilados, livres de mofo e umidade, lavar regularmente cortinas e roupas de cama, evitar o acúmulo de brinquedos e bichos de pelúcia nos quartos e substituir cobertores por edredons sempre que possível.
A especialista também orienta priorizar a limpeza com pano úmido ou aspirador de pó, evitando o uso de vassouras, que espalham partículas de poeira pelo ambiente.
Outro alerta importante é evitar a exposição à fumaça de cigarro, incluindo cigarros eletrônicos e narguilé, já que o tabagismo passivo é um dos principais fatores associados ao desencadeamento das crises.
Marcela Marques destaca ainda que o tratamento preventivo deve ser iniciado o quanto antes, especialmente após a primeira internação, para reduzir o risco de novos episódios e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Segundo ela, orientar as famílias sobre os gatilhos da doença e sobre como agir diante dos primeiros sinais de uma crise também contribui para diminuir a procura por atendimentos de urgência.
O alergista e imunologista Pedro Giavina-Bianchi, integrante do Departamento Científico de Asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), explica que o hábito de permanecer em locais fechados durante o inverno favorece a transmissão de vírus respiratórios e, consequentemente, aumenta a ocorrência de crises de asma.
Ele recomenda que pessoas asmáticas evitem contato próximo com indivíduos gripados ou resfriados e mantenham em dia as vacinas contra influenza e pneumococo.
O especialista também lembra que o uso de máscaras continua sendo uma medida eficaz para reduzir a transmissão de vírus respiratórios, assim como foi observado durante a pandemia de Covid 19, contribuindo para proteger pessoas mais vulneráveis às complicações da asma.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Inscrições para processo seletivo de estágio do MPT-MS terminam neste domingo
Leia Mais
Mais 30 mil moradores de Mato Grosso do Sul passam a ter acesso à rede de esgoto em apenas um mês
Leia Mais
Alerta do Inmet prevê chuva forte, ventos e granizo em 78 municípios de MS
Leia Mais
Maracaju fortalece protagonismo na Rota Bioceânica e amplia debate sobre integração regional
Municípios